Opus Tertium #1—6, 2018

 

 

Opus Tertium #1—6, 2018
Cianotopia intervencionada,
tinta da china e folha de ouro
50×50 cm (cada)
Prova única

 

Reflexão
A luz é uma energia cuja radiação é visível ao olho humano. Utilizando essa radiação, a cianotipia, processo histórico da fotografia, cria registos espectrais dos objectos. A cianotopia começa com a alquimia da mistura dos químicos – o pó e a água -, seguindo uma fórmula de citrato férrico amoniacal com ferricianeto de potássio criada por Sir John Herschel no século XIX.
Em Opus Tertium, a cianotopia circunscreve-se numa área circular de limites bem definidos, tal como cada uma das fases da Grande Obra de elaboração da Pedra Filosofal, objectivo dos alquimistas.
Posteriormente, é colocado um objecto para que fique o seu registo permanente na folha. As formas geométricas começam a surgir no papel, como se de um estudo à própria luz se tratasse. Nesta tentativa de tentar explicar o próprio fenómeno que se tornou registado, o objecto muito etérico, muito sublime, é levado a um estado mais denso, o tempo e o espaço são consumidos no plano circular. Apoderando-se deste curso circular da luz e da preservação do centro, a tinta de china encerra a área, o negro apodera-se no papel como se tentasse retirar o protagonismo da folha.
A finalização com folha de ouro, prata e bronze, relembra o desígnio na alquimia da criação de um material nobre e raro que era o ouro, símbolo de poder, perfeição e imortalidade.
Opus Tertium significa “a obra terceira”, e é inspirado no estudioso Roger Bacon (século XIII), que passou a vida a reflectir sobre a natureza, a alquimia, ciência, matemática, geografia e astronomia. Nos seus livros apresenta reflexões empíricas e esquemas cognitivos sobre problemas do dia-a-dia.

Exposição
30/06/2018 — Lethes Art 2018, Torre da Cadeira Velha, Ponte de Lima – Portugal

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